Só 28% dos americanos confiam em busca com IA: a brecha do SEO
Apenas 28% dos usuários de busca nos Estados Unidos dizem confiar em informações vindas de um assistente de IA, contra 70% que confiam em um buscador tradicional e 76% que confiam em aplicativos de mapas ou navegação. Os números fazem parte de uma pesquisa da YouGov apresentada em livestream em julho, com consumidores de 19 mercados, que apontou os EUA como o país com a menor adoção de busca assistida por IA. No livestream ‘The New Search Journey, How AI Is Changing Online Discovery’, o anfitrião Brian Reitz conversou com os especialistas Clifton Mark e Jade Vasquez sobre onde as pessoas começam cada tarefa e o que as faria confiar em uma resposta gerada por IA a ponto de agir com base nela. O levantamento foi repercutido pelo Search Engine Journal (SEJ) em artigo de Greg Jarboe, que trata a desconfiança como uma abertura para o SEO.
Por que a confiança na busca tradicional ainda supera a IA?
De acordo com o SEJ, os buscadores não estão perdendo a guerra da confiança para os chatbots de IA; eles estão vencendo por mais de 40 pontos, e em nenhum lugar a margem é maior do que nos Estados Unidos. Entre os 19 mercados pesquisados, os americanos têm a menor taxa de busca assistida por IA, 48%. Na Índia, na Indonésia e nos Emirados Árabes Unidos, o número chega a 89%. Até a Grã-Bretanha, o segundo mercado mais cauteloso, registra 54%. Os números ganham contexto com o perfil de quem os apresenta: Jade Vasquez tem mestrado em ciência social computacional pela Universidade da Califórnia em San Diego, e Clifton Mark é jornalista sênior de dados, que passou anos apresentando o podcast ‘Good in Theory’.
Na confiança, os assistentes de IA aparecem apenas acima das plataformas de redes sociais. A leitura do SEJ é que nenhuma marca quer esse tipo de companhia na sua estratégia de citação.
Onde as pessoas começam a busca, tarefa por tarefa
O relatório da YouGov detalha onde as pessoas começam sete tarefas comuns de informação. Segundo o Search Engine Journal, o padrão enfraquece a ideia de que a IA já virou o ponto de partida padrão: os buscadores lideram todas as tarefas testadas.
Para fazer uma pergunta específica, o caso que os assistentes de IA supostamente foram feitos para vencer, 69% dos usuários ainda começam por um buscador e apenas 16% pela IA. Para pesquisar produtos, o placar é de 62% para o buscador contra 4% para a IA. Para comprar produtos, 50% contra 2%.
Entre quem usa IA para buscar, apenas 16% dizem que a IA é o ponto de partida real. Trinta e dois por cento usam a ferramenta depois de tentar outras fontes primeiro. Outros 27% recorrem à IA apenas para perguntas específicas em que já suspeitam que existe uma resposta direta. Na prática, a IA funciona como segunda opinião, não como primeira parada.
Receipts: a palavra que resume a estratégia de GEO
No prefácio do relatório, Mark Fantino, vice-presidente sênior da YouGov America, escreveu que os assistentes de IA “They want to just answer you” (eles só querem responder você). O problema, nas palavras dele, é que a IA poupa passos, mas as pessoas ainda querem “receipts”, isto é, comprovantes: links de origem, sites oficiais, algo contra o qual verificar a informação.
Para Jarboe, essa palavra é um briefing de SEO melhor do que a maior parte do que ele leu neste ano sobre otimização para mecanismos generativos (GEO). A disciplina, em linhas gerais, busca fazer uma marca ser citada por ferramentas como ChatGPT, Perplexity e AI Overviews do Google. A pesquisa da YouGov indica que a citação, sozinha, não basta: o usuário quer sair da resposta da IA e conferir a fonte original.
A brecha de confiança, portanto, vira oportunidade concreta. Se a IA entrega uma resposta, mas quem decide agir quer checar em um site confiável, a estratégia de SEO precisa ser construída para o momento do clique, não apenas para a citação.
Pesquisa de mercado e dados de busca medem coisas diferentes, defende Jarboe, que há 25 anos trabalha com a relação entre os dois. Volume de busca mostra o que as pessoas digitam; a pesquisa da YouGov mostra quem digita e por que ainda não confia na resposta. Para o planejamento de SEO de 2026, a conclusão do SEJ é direta: conquistar a busca assistida por IA passa por entregar os comprovantes que o usuário procura.



